Cidadania
Moradores de Campinas organizam mutirão mensal e reduzem entulho em córrego urbano
Há um ano, vizinhos do bairro Jardim das Palmeiras decidiram parar de apenas reclamar no grupo de mensagens. Montaram uma associação informal, escolheram um sábado por mês e começaram a retirar lixo e entulho das margens de um córrego que corta a região.
O resultado, documentado em planilha compartilhada com a reportagem, inclui mais de 12 toneladas de resíduos retirados em doze edições do mutirão. Parte era descarte irregular; parte vinha de enchentes que arrastavam lixo de outras áreas.
Diálogo com a prefeitura
No início, a resposta oficial foi genérica. Com fotos datadas, lista de participantes e registro em ata, o grupo conseguiu reunião com a secretaria de meio ambiente. Hoje há coleta complementar agendada quinzenalmente em dois pontos críticos — não resolve tudo, mas mudou a dinâmica.
“A gente aprendeu que volume de prova importa”, diz Maria Helena Souza, uma das organizadoras. “Não basta postar foto irritada. Precisa mostrar padrão, repetição, data.”
Limites da iniciativa
Mutirão não substitui drenagem adequada nem fiscalização de despejo ilegal. Engenheiros ambientais ouvidos lembram que remoção superficial de entulho pode mascarar obstruções mais graves. O grupo agora pede estudo técnico com verba do orçamento participativo municipal.
Replicação em outras cidades
O modelo — documentar, associar-se, exigir canal formal — aparece em relatos semelhantes em Guarulhos e João Pessoa. Cada contexto urbano impõe variações, mas o princípio de organização com evidência se repete.
Participantes relatam que o mutirão também mudou relação entre vizinhos: grupos de mensagem deixaram de ser só reclamação e passaram a combinar ação. Isso não aparece em planilha, mas importa para sustentabilidade do esforço.
A prefeitura, consultada, afirmou que estuda ampliar pontos de coleta seletiva na região e que o diálogo com a associação continua. Não há prazo fechado para obra estrutural de drenagem — ponto que o grupo mantém na pauta.